Enfim...
Quanta repúdia me vem a alma quando alguém, por falta do que conseguir dizer sobre o que discorre, diz um terrível 'enfim'... Não sei se o que me incomoda é o argumento que desejava ouvir e não tive a oportunidade de escutar, ou, talvez, por muitas vezes escutar esse mesmo refúgio de diversas bocas. Contudo, a conversa se torna desagradável após o episódio. 'ENFIM' um filho que massacra tantos outros só para nascer com finalidade.
Escrito por Mercador de Sonhos às 15h32
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TALVEZ UM DIA
Talvez não exista mais poesia, apenas expressão do sofrimento, do ódio e da vontade morrer.
Talvez ela volte a existir nos sonhos, nos desejos ou na vontade de se sacrificar ao outro.
Talvez a incerteza a crie novamente, mesmo que seja apenas para nos dizer EXISTA.
Mas o poeta reclamaria de tal existência, pois a verdade se esconde nos verbos que sangram para dizer aquilo que o desespero nos roubou e a razão pensou domar.
Escrito por Mercador de Sonhos às 22h39
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Pensamento incompleto
- Nunca sonhei como hoje, meu velho...Ainda mais eu, que sempre tive sonhos maiúsculos e desencontrados, achei que o de hoje foi um pouco estranho. Não sei se tem relação com os sofrimentos de ontem, que foram além do que nós aqui na rua estamos acostumados a sofrer, entretanto, foi um momento de êxtase ver aquelas lindas crianças rosadas chorando de fome e gritando, categoricamente, as suas ordens . Como se todos os que ali estavam observando fossem seus criados prontos a acudi-las no momento de necessidade. Mas não, olhávamos com ar de desdém aqueles rostinhos bem cuidados que a nossa frente sofriam com as necessidades do corpo.
Eu olhava e pensava, sorrindo para aquelas criaturas que me achavam com cara de garçom e pediam insistentemente comida. E eu lá, continuava sorrindo feito desempregado que acaba de receber uma proposta para trabalhar contando dinheiro em um paraíso fiscal. E assim fiquei até que você me acordou... Mas sabe, meu velho, aquela cena durou muito tempo; até cansei de tanto pensar e sorrir em frente àquelas testemunhas em primeiro grau da tragédia humana. Nós aqui, que já temos até língua calejada de tanto pedir comida, não deveríamos nos emocionar com coisa tão comum. E eis aí o que intriga nesse meu sonho, como posso eu ficar ali sonhando com coisas que vejo a todo momento e ainda acordar angustiado? - Meu jovem, nessa vida nada se explica. Veja isto que está me dizendo agora: um miserável de rua que tem sonhos... Parece piada de mau gosto, mas mesmo assim nos sentimos importantes para ter o que contar aos outros.
- Sem dúvida isso é engraçado... A vida até parece um bigato de defunto. Fica lá, com sua alvura divina, comendo a podridão dos que não existem mais, construindo seus caminhos no meio daquele mundinho restrito imaginado sem fim e cada vez mais gulosa de mundo que diz não ter saboreado o suficiente. Ela, toda pomposa, desfilando sua bunda branca para todos os lados naquele lugar fedorento e achando que é rainha de alguma coisa, vai percebendo que no final das pernas, seu mundo está acabando. E volta, toda apavorada para os ossos de cima, achando que no meio das costelas vai achar um coração de esperança para terminar sua sina com a alma livre. Mas o trágico é que o coração já não existe mais, e a gulosa tenta roer os ossos de raiva. Não contente com sua falta de sorte, lamenta não ter saboreado mais.
Escrito por Mercador de Sonhos às 00h18
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Início da revolução?!
Talvez fosse o início da revolução que eu pensei em realizar que me fez criar o blog. Talvez não... Nunca quis dizer para todos que eu me achava o heroi do universo, o Deus dos infernos e dos céus, ou o filântropo que salvará a humanidade da fome. Será que não fiz isso por medo de me acharem tolo? Sim, não fiz isso por medo de me acharem um tolo. Só os tolos sonham em desejar, não o desejo libidinoso de todas mídias, mas o que cria a oportunidade de se realizar como criança, homem, buscador... Claro que nunca chegarei a ser um Google (o maior orgasmo tecnológico da década), mas posso buscar umas sacolinhas no mercado, uns sonhos na esquina, desejos nas almas que me atravessam ou nos corações que sussuram aos meus ouvidos. E desejando sonhar, sempre me pediram para não sonhar. Mas será que eu sonhei algum dia? Até aqui conseguiram me fazer perder a esclarecimento: não sei dizer o que sinto, o que desejo, ou o que sonhei... quão longe esse punhal me penetrou! Alguém pode me ajudar a tirar esse punhal? Claro que não, a tolice deve ser isolada. Mas existe tolice maior do que viver em um canteiro de alfaces e se a achar diferente por causa de uma dobra na folha? Sim... A tolice de desejar!
Escrito por Mercador de Sonhos às 21h35
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